Tuesday, December 21, 2010

História dos Army Rangers.

Os Rangers do exército dos Estados Unidos são uma particularidade das forças de operações especiais militares dos EUA. Embora sua origem remonte à época colonial, eles não eram uma presença permanente no exército até a década de 70. Convocados para o trabalho, seu objetivo principal era concluir uma missão e, então, dispersar-se.
Os Rangers são conhecidos, em uma guerra, por sua habilidade de se esconderem. Se você estiver em uma situação de combate e vir um Ranger, ele provavelmente já terá visto você. Não há como saber por quanto tempo ele o estava observando. E mais: no momento em que você vir um Ranger, provavelmente será tarde demais.
Isso não ocorria até o início do envolvimento dos EUA na Segunda Guerra Mundial, em que os Rangers foram oficialmente estabelecidos pela primeira vez no século 20. Os oficiais americanos decidiram que os Estados Unidos precisavam de uma força de combate especializada, com base nos comandos britânicos, uma força de operações especiais que deu certo. Incumbido de criar tal força, o major William Darby pegou a idéia e a transformou em realidade em pouco mais de três semanas. Darby formou o Primeiro Batalhão de Rangers no campo de Sunnyland, em Carrickfergus, Irlanda, escolhendo 600 candidatos entre milhares de voluntários
As forças do comando britânico também estavam envolvidas na formação dos Rangers americanos. Criaram um regime de treinamento especializado tão intenso, que 1/6 dos homens ficaram esgotados (não conseguiram completar o treinamento), um morreu e outros cinco ficaram feridos.­
Esses primeiros Rangers do exército serviram, no início, junto com os comandos britânicos que os treinaram. Então, por si só, realizaram as invasões de pequena escala na Argélia, Tunísia, Sicília, Itália e França, rompendo as linhas inimigas e abrindo caminho para a entrada de forças maiores.
Mas durante esses ataques, perderam-se muitos soldados e os comandos adotaram uma nova tradição para renovar seus grupos: tomavam outras companhias e grupos de soldados que mostravam ter habilidade e coragem em outras operações. Esses seletos grupos chegaram ao topo em disputas formidáveis, tornavam-se experientes e eram perfeitos para se tornarem membros de equipes de Rangers - como a 5307ª composição especial de forças formada para retomar o controle da Estrada de Burma dos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Esse regimento marchou 1770 km, a partir de um campo de treinamento na Índia, através da floresta da Birmânia, acabando vitorioso após dezenas de lutas contra os soldados japoneses
E na Guerra do Vietnã, as patrulhas de longo alcance - pequenos pelotões capazes de permanecer escondidos atrás das linhas inimigas durante muito tempo - fizeram ataques e reconhecimento. Essas patrulhas foram então pegas pelos regimentos de Rangers que lutavam lá. Em virtude da condição do tempo de guerra e da necessidade de novos recrutas, os candidatos aos Rangers treinaram como se estivessem em missões reais - a "escola campestre dos Rangers".Somente após provarem que seu valor e habilidades estão de acordo com os Rangers é que os recrutas são formalmente doutrinados.

75° REGIMENTO DE RANGERS

No início da Guerra da Coréia, foi criado o 75º Regimento de Rangers, cujo quartel-general foi instalado em Forte Benning, na Geórgia. O grupo de voluntários veio exclusivamente da 82ª Divisão Aerotransportada. Essa tradição de recrutamento ainda permanece nos dias de hoje: todos os candidatos do comando precisam ser formados na escola de pára-quedistas antes de se tornarem soldados oficiais do Rangers.
Para ser escolhido como membro de um comando de Rangers, um soldado deve provar que é fisicamente capaz e se submeter a testes de resistência e calistenia, como corridas e marchas longas. Uma vez aceito na escola do comando, começa seu treinamento. O treinamento é dividido em três fases diferentes: rastejamento, caminhada e corrida.
O treinamento de rastejamento é o mais básico na escola. Inclui instruções em combate corpo a corpo, pugilismo - luta com punhos ou barras - e testes sobre o nível de conforto quando imerso em água.
O treinamento de caminhada é intermediário. Inclui treinamento em rapel, nós e planejamento e execução de emboscadas e operações aéreas.
O treinamento de corrida é o mais avançado e inclui graduação na escola dos Rangers. Nessa fase de treinamento, os recrutas do comando aprendem sobre avanço pela água, ataques a cidades e evacuação de tropas - removendo tropas de ambientes hostis, geralmente com um helicóptero. Durante o treinamento, aprendem também sobre sabotagem, navegação, explosivos e reconhecimento.
Os oficiais que completam o programa de treinamento entram no programa de orientação dos Rangers, uma série de cursos cujo objetivo é apresentar a um oficial as políticas e os procedimentos dos comandos.O programa de orientação dos Rangers é semelhante ao programa de doutrinação do comando dado a soldados recrutados.
Embora tenha sido ativado no início da Guerra da Coréia, o 75º Regimento de Rangers foi desativado após o fim da guerra. O regimento foi ativado e desativado praticamente da mesma forma para a Guerra do Vietnã. Não era assim, até que um comandante reconheceu o valor de se ter uma força de comando de prontidão e uma unidade contínua dos Rangers foi estabelecida. O chefe de equipe do exército, general Creighton Abrams, ordenou a instituição do 1º Batalhão de Comando do 75º Regimento de Rangers, em 1974 [fonte: SpecialOperations.com]. Essa foi a primeira vez que uma força dos Rangers foi ativada durante o período de paz e levou à formação da estrutura atual do 75º:

1º Batalhão - baseado no Campo de Aviação Hunter, na Geórgia
2º Batalhão - estabelecido em 1974 e colocado no Forte Lewis, Washington
3º Batalhão - estabelecido em 1984 como parte da expansão de uma força maior dos Rangers e colocado no Forte Benning, na Geórgia.

Cada batalhão é composto de um HHC (Headquarters and Headquarters Command - Quartel-general e comando do quartel-general), além de três companhias de rifles. Os batalhões são formados com não mais que 580 comandos: cada qual com um grupo de rifles composto de 152 atiradores - os Rangers restantes apoiam esses atiradores e os quartéis-generais.
O apoio dos Rangers aos atiradores é essencial para suas operações. A equipe de armamentos fornece potência de fogo moderada às operações do sRangers, incluindo metralhadoras pesadas, mísseis Stinger, um grupo morteiro e a arma anti-blindagem Carl Gustav. A Gustav, exclusiva às forças dos Rangers, é um lança-fogos, capaz de disparar várias balas, incluindo munição que perfura blindagens e balas de fumaça. Além disso, os atiradores recebem apoio de três equipes de franco-atiradores incluindo um grupo equipado com armas calibre .50. Mesmo com esses armamentos, ainda são tropas de infantaria leve. Para conseguir mais apoio para os atiradores, os Rangers precisam contar com o grupo em cujo benefício ou apoio eles estejam realizando uma missão.
O Regimento de Rangers é capaz de organizar tropas em qualquer lugar em um prazo de 18 horas. Isso é possível através da RRF (Ranger Ready Force - Força de Preparação dos Rangers), uma designação de 13 semanas que gira entre os três batalhões. Quando um batalhão é a RRF designada, ele não pode realizar nenhum exercício nem treinamento fora da base. Todos os soldados recebem vacinas e todas as armas são verificadas e substituídas, se necessário. Todos os suprimentos necessários para uma missão são encaixotados e embalados.

TAREFAS DOS RANGERS

A filosofia dos Rangers tem como objetivo a idéia de uma "tropa de choque" rápida - capaz de fazer ataques surpresa. Mas como eles chegam à zona de ataque, o que fazem lá e que comando está solicitando atiradores variam muito de acordo com cada operação.
Desde que sejam formados na Escola de Pára-quedistas, os soldados geralmente saltam de pára-quedas até a área de entrada designada. Mas também são treinados para outros tipos de incursões - ou meios de colocar os soldados, rápida e silenciosamente, atrás das linhas inimigas - como um pequeno barco em um brejo ou descendo por cordas (que permitem uma descida rápida) das laterais de um helicóptero. Uma vez em terra, suas operações assumem muitas formas. Em uma situação de ataque, a operação típica dos Rangers é assumir um campo de aviação.
Eles são extremamente versáteis e podem facilmente mudar de uma operação especial para uma convencional, uma vez que a missão inicial seja cumprida. Por exemplo, se a missão dos Rangers for tomar um campo de aviação, ele podem descer de pára-quedas, eliminar quaisquer ameaças, assumir o controle do campo e avisar que a missão foi realizada. Quando as forças convencionais chegam no campo de aviação que está seguro, os Rangers podem se juntar a elas, ficando à frente como parte da força maior de combate convencional.
Esses tipos de ataques são chamados de operações de ação direta e podem, conseqüentemente, ser muito barulhentos devido aos fogos de artilharia que estouram. Existe outro tipo de operação à qual os Rangers são ideais - o reconhecimento. O papel do batedor, tradição do Rangers, surgiu a partir dos batedores coloniais e foi aperfeiçoado pelas patrulhas de longo alcance no Vietnã. Todos os soldados são treinados para fazer o reconhecimento, mas existe um pequeno grupo especializado de soldados que é treinado extensivamente para vigiar e fazer reconhecimento - o RRD (Regimental Reconnaissance Detachment - Destacamento de reconhecimento regimental).
Criado em 1984 como parte da expansão do comando, o RRD consiste de equipes de três ou quatro homens experientes que fazem reconhecimento e conseguem sobreviver por até cinco dias atrás das linhas inimigas, em silêncio e fazendo movimentos mínimos [fonte: SpecWarNet (em inglês)]. Existem apenas 12 desses soldados para o 75º Regimento inteiro e cada equipe fica com um dos três batalhões. Os comandos de RRD devem confirmar ou negar informações existentes, colocar equipamentos de vigilância no território inimigo, relatar os movimentos da tropa e realizar ataques ou acertar alvos. Em algumas circunstâncias raras, essas equipes podem ser chamadas para fazer ataques de ação direta específicos, mas, na maioria das vezes, seu principal objetivo é ir e vir sem serem notadas.
As missões de resgate também são realizadas por Rangers. Tais missões geralmente são uma combinação de ação direta e reconhecimento. Os Rangers devem primeiro confirmar as informações pertinentes sobre paradeiro de uma tropa perdida ou de um prisioneiro de guerra e, em muitos casos, enfrentar o inimigo com violência para atingir seu objetivo. Os Rangers são ideais para as missões de resgate, devido a sua habilidade de entrar e sair, sua resistência para ações de longa distância, sua capacidade de permanecer escondidos e seus recursos de infantaria. Tudo isso significa que os Rangers podem chegar a lugares que a maioria não consegue.

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